Então varandeiros, como eu ia contando, estávamos todos lá no hospital, eufóricos para conhecer o novo membro da família.
No centro cirúrgico tem uma janelinha e quando o bebê vai nascer à enfermeira abre a cortina e todos assistem o parto ao vivo, é uma emoção única. E foi o que ocorreu, assim que vi o João pela primeira vez, com 50 cm e 3.450gr, olhei para a janela e vi mais de vinte pessoas chorando de alegria.
Com certeza o nascimento de um filho é o momento mais feliz da vida.
No dia seguinte a minha irmã chegou logo cedo, eu estava amamentando o João Lucas e falei: “quero olhar os pesinhos dele, ontem eu nem consegui contar os dedinhos para verificar se está tudo certinho”, quando vi o pé direito, ele estava viradinho para dentro, a minha irmã já foi logo dizendo que é normal “ele é grande e estava muito apertado na barriga”, como ela é Médica e nessas horas nós só ouvimos o que queremos, acreditei (depois fiquei sabendo que ela já sabia que havia algo errado).
Em certo momento minha irmã pediu para eu ir até o berçário com ela, sai deixando o João com a Bisa.
No corredor, encontramos um Senhor, que se apresentou como o médico de plantão, informou que o João havia nascido com um abaulamento nas costas, realizaram um ultra-som e encontraram uma grande massa, seria necessário realizar uma Ressonância Magnética para verificar o que é e decidir o que fazer.
Sabe quando você escuta uma história, mas não registra? Foi o que ocorreu, então eu concordei com ele e me virei para voltar ao quarto, após dar dois passos, eu falei “massa é = a tumor!!! E se for um Câncer?!?!!! Nesse momento eu perdi o chão.... Nada mais fazia sentido.... Eu não podia acreditar que o meu bebê, estava gravemente doente, não podia ser.....
Respirei fundo e entrei no quarto, nem ele nem a Bisa poderiam perceber o que estava acontecendo.
Pouco tempo depois, fui informada que o João teria que ficar em Jejum, para poder ser anestesiado, a Ressonância Magnética é um exame demorado e o paciente tem que ficar totalmente imóvel. Teriam que fazer um acesso venoso e para que ele fosse mais bem monitorado, pegaram o meu bebê e levaram para a UTI neonatal.
Simplesmente o mundo virou de pernas para o ar, o momento mais feliz da vida, se transformara em um pesadelo horrível, agora para eu chegar perto do meu filho, eu teria que pegar o elevador, descer dois andares, passar por um segurança que verificaria a minha identidade, pediria autorização para eu entrar, teria que seguir por um corredor enorme, fazer uma higiene rigorosa nas mãos e nos braços, ai sim entrar em um local, que é uma mistura de vários sentimentos, como medo, pavor, angustia, desespero, tensão, ansiedade e acima de tudo muito, mas muito AMOR. Sim, todos os que estão lá, amam, mas amam muito, aquelas “coisinhas” pequenininhas indefesas, corajosas, batalhadoras e vencedoras, só de elas estarem ali e vivas, já são verdadeiras heroínas e o maior dos amores são os delas pela própria vida.
Na hora que eu atravessei aquela porta pela primeira vez, a minha vida se transformou radicalmente, tudo o que antes era importante, agora já não era mais, tudo o que eu havia planejado para o futuro, agora era passado, não existia mais um futuro, existia apenas aquele dia, e se Deus quiser, mais um dia, mais um e mais um........ Fui vivendo os momentos, sem me preocupar com o futuro, não conseguia entender o que estava acontecendo, só sabia que eu havia prometido para o Lule, que ia ao hospital buscar um irmãozinho para ele e já voltava, mas agora eu não sabia de mais nada.